domingo, 3 de setembro de 2017

Haiti: tínhamos 3 verbos impositivos para essa missão: cooperar, contribuir e realizar. Missão cumprida!


Por: Redação OD

Após treze anos de participação na Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (MINUSTAH), a tropa brasileira encerra suas operações em solo haitiano. Na noite de 31 de outubro, uma solenidade histórica reuniu o último contingente brasileiro da missão de paz e representantes das Forças Armadas, do Governo Brasileiro e das Nações Unidas. Entre palavras de reconhecimento das autoridades ao trabalho dos militares brasileiros, também ficou marcado o sentimento de satisfação dos capacetes azuis pelo dever cumprido.



“Nós tínhamos três verbos impositivos na missão: cooperar, contribuir e realizar. Contribuir para a estabilização desse país amigo, cooperar em ações humanitárias e também realizar operações para que os dois verbos anteriores fossem concretizados. Cumprimos a missão. Por isso, os brasileiros estão em festa, o Brasil está em festa. Esses militares que estiveram no pátio hoje escreveram a história deles, mas também escreveram a história do Exército Brasileiro”, declarou o Comandante Militar do Sudeste, General de Exército João Camilo Pires de Campos.


O Ministro da Defesa, Raul Jungmann, agradeceu a todos os militares das Forças Armadas que participaram da missão, relacionando o trabalho dos brasileiros com a concretização dos objetivos da criação das Nações Unidas, de defesa da vida em todo o mundo, e com o reconhecimento internacional ao Brasil. “Soldados, provedores da paz: os senhores ergueram o nome do Brasil a um novo patamar, elevaram o reconhecimento que a todos nós muito orgulha”, reforçou o Ministro. Desde 2004, cerca de 37.500 militares das Forças Armadas do Brasil dedicaram-se a promover a paz e a estabilidade no país mais pobre das Américas. No dia 15 de outubro, a MINUSTAH encerrará suas atividades. 


Em seguida, será ativada a MINUJUSTH, uma nova missão das Nações Unidas pelo apoio à Justiça no Haiti. O foco da iniciativa será dar suporte às instituições haitianas, especialmente na formação de policiais. “Os capacetes azuis brasileiros serviram na MINUSTAH desde o início da sua implantação. Eles desempenharam um papel crítico na missão ao longo dos anos, durante os quais foram feitos progressos importantes na estabilização da situação no Haiti. As Nações Unidas e o povo haitiano são muito gratos pelo papel central que o Brasil desempenhou nos esforços para criar a estabilidade duradoura aqui, juntamente com as tropas de um total de 24 países”, afirmou a Representante Especial do Secretário-Geral das Nações Unidas e Chefe da MINUSTAH, Sandra Honoré.


Ao longo de toda a duração da MINUSTAH, além de ser o maior país contribuinte com tropa, o Brasil sempre teve um oficial-general como chefe do componente militar da missão. Atualmente, a função é desempenhada pelo General de Divisão Ajax Porto Pinheiro. Durante a formatura, ele destacou a atuação brasileira na área de segurança, no apoio à população nos desastres naturais e à realização de eleições. O 26º e último contingente brasileiro é composto por 950 militares do Exército, da Marinha e da Força Aérea, distribuídos entre o Batalhão de Infantaria de Força de Paz (BRABAT), que conta com um Grupamento Operativo de Fuzileiros Navais, e a Companhia de Engenharia de Força de Paz (BRAENGCOY). A previsão é de que a maior parte dessa tropa retorne ao Brasil entre os dias 10 e 17 de setembro, enquanto 152 militares permanecem no Haiti para finalizar o envio do material e a entrega da base brasileira.
Últimos dias da tropa brasileira no Haiti


A partir do término das operações, o Contingente Brasileiro intensifica as atividades de desmobilização, que vão tornar possível enviar ao Brasil o material utilizado pela tropa que será reaproveitado em futuras missões, além de separar e fazer o descarte adequado do que não será repatriado. Esse trabalho incluiu catalogar todo o material presente nas bases, produzir a documentação necessária à administração do Exército e preparar as caixas em que o material será encaminhado, por exemplo. Além dos preparativos para o envio de seu próprio material, a BRAENGCOY foi empregada durante todo o 26º Contingente em missões de desmobilização de outras bases da MINUSTAH em diversas regiões do Haiti, incluindo os contingentes do Chile, do Uruguai, da Jordânia, das Filipinas, da Guatemala e da Argentina. 


O Comandante do BRAENGCOY, Tenente-Coronel Anderson Soares do Carmo, explica que essa crescente demanda foi mais um desafio gratificante para a tropa da Engenharia brasileira. Pela terceira vez participando da missão de Paz no Haiti, ele conta que ficou feliz de rever o país em 2017. A gente percebia claramente que o país não se desenvolvia devido à precariedade da segurança pública. Agora, o trânsito está melhor, flui mais. O comércio está mais atuante, a vida de serviços está melhor e a organização política está mais estruturada”, cita. Para o Batalhão de Infantaria, os momentos finais da MINUSTAH trouxeram mudanças significativas na forma de atuação. O BRABAT ficou com todo o Haiti como área de responsabilidade, com a saída dos demais contingentes, realizando frequentes exercícios de Força de Reação Rápida. 


Os militares também fizeram trabalhos específicos de prevenção a possíveis desastres naturais, levantando informações que foram repassadas às Nações Unidas. “Conseguimos permitir a transição da MINUSTAH para a MINUJUSTH, mantendo o ambiente seguro e estável para que as instituições do Estado haitiano se empoderassem. Estamos saindo porque a missão do componente militar foi cumprida. Isso é motivo de orgulho. Estamos finalizando, mas é uma alegria muito grande saber que estamos fechando com chave de ouro e cumprindo a missão, honrando todos que nos antecederam desde 2004”, afirma o Comandante do BRABAT, Coronel Alexandre Oliveira Cantanhede Lago.
Combate à criminalidade e apoio à população haitiana


Durante a MINUSTAH, as tropas brasileiras realizaram intensivo patrulhamento nas áreas que estavam sob sua responsabilidade, participaram de operações com as demais tropas das Nações Unidas e com a Polícia Nacional do Haiti, escoltaram autoridades e proveram segurança para as ações humanitárias e as eleições. Os militares do Brasil também estiveram presentes em momentos de grandes catástrofes naturais no Haiti, como o terremoto de 2010 e, mais recentemente, a passagem do Furacão Matthew. A Companhia de Engenharia Brasileira foi empregada pelas Nações Unidas em obras como construção, asfaltamento e reparação de vias, perfuração de poços, limpeza de valas, distribuição de água e destruição de explosivos.


FONTE: Agência Verde-Oliva

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