segunda-feira, 7 de maio de 2018

Como funciona o Estágio de Caçador de Operações Especiais do Exército Brasileiro



Por: Redação OD

O Estágio de Caçador de Operações Especiais é conduzido no Centro de Instrução de Operações Especiais do Exército Brasileiro (CIOpEsp), em Niterói-RJ. A equipe de instrução é composta por militares do Exército Brasileiro, Marinha do Brasil e Polícias Militares, ambos da comunidade de Operações Especiais, concretizando o caráter Conjunto e Inter agências dessa atividade cada vez mais comum no dia-a-dia dos agentes de defesa e segurança do Estado. Como o nível das avaliações são elevados e o padrão dos alunos também, a concorrência pelas vagas no Estágio é altíssima. A não apresentação da documentação necessária completa, apresentada nas orientações ao candidato já é motivo de corte. Ainda nos primeiros dias do Estágio os candidatos são submetidos a um rigoroso Exame de Avaliação Técnica de Tiro em que visa verificar as habilidades técnicas do candidato no tiro de precisão, levando-se em consideração grupamento, constância e precisão no tiro.

Embora o índice para aprovação seja de 87%, devido ao número de candidatos por vaga, a admissão fica selecionada aos que se aproximam de 91% de aproveitamento no exame. A primeira semana é ocupada pelos ensaios do Teste de Entrada, aula inaugural e instruções de caráter geral para o Caçador. O tempo livre ao aluno ainda é razoável. A segunda semana de instrução dita o ritmo para todo o resto do Estágio. O trabalho em sala de aula começa logo no primeiro dia e dura toda a semana, abordando tópicos como o manejo do fuzil de precisão e optrônicos, conhecimento profundo sobre diferentes tipos de balística, preenchimento da caderneta do caçador, condução e correção de tiro, avaliação de distâncias, busca, seleção e designação de alvos, abrigos, camuflagem e roupa Ghillie. Entretanto não se restringe ao estudo em sala de aula. 



As atividades se estendem diariamente até às 22h, e após isso o aluno mantém no preparo da sua roupa ghillie, que será avaliada ao final da semana. Nesta semana, após adquirir o conhecimento sobre manejo do armamento de precisão, o aluno parte para fazer a perfeita zeragem do seu fuzil. Essa atividade se repete dois dias no alvorecer. O sábado é preenchido também, porém já com atividade de tiro. Após a zeram do fuzil é realizado o módulo de tiro em alvo estacionário em distâncias conhecidas, onde o aluno é avaliado na Prova de "MOA". Ainda no processo de avaliação o aluno realiza uma prova teórica que examina toda a bagagem teórica adquirida até o momento. A administração do tempo face às instruções, estudos, manutenção do armamento e preparação da Roupa Ghilie é um estímulo estressor natural ao aluno. A terceira semana é carregada de uma carga pesada de tiros. 

De manhã, de tarde e de noite. Todos os dias. Nos intervalos desses tiros ainda sobra tempo para as instruções sobre a Organização, Preparo e Emprego dos Caçadores de Operações Especiais. Nessas instruções os alunos começam a compreender o papel do Caçador de Operações Especiais nos conflitos, identificam as atribuições funcionais e adquirem subsídios para fundamentar planejamentos futuros. Os tiros executados, via de regra, são seguidos de tensas e difíceis avaliações em que os alvos estão dispostos em distâncias que varam de 300 a 1000 metros. Tiro em alvos estacionários em distâncias desconhecidas, tiro noturno, tiro de ângulo, tiro de compensação tática em longa distância e em curta distância, provas de avaliação de distância e busca, seleção e designação de alvos. A semana é intensa e preocupante para os alunos. A cada avaliação, o temor da reprovação e o consequente desligamento diante das imensas dificuldades técnicas do tiro. 



Nessa fase o aluno ainda encontra-se aprendendo a Técnica Básica do Caçador. A quarta semana conclui a diferença das técnicas de tiro do Caçador do Corpo de Tropa para o Caçador de Operações Especiais. Conceitos de fotografia operacional são passados aos alunos, a fim de conjugarem esses conhecimentos com a observação, memorização e descrição, capacitando os futuros Caçadores de Operações Especiais em sensores de inteligência operacional eficientes e eficazes. É nessa semana também que ocorrem as tradicionais avaliações de caçada.  Ainda nessa fase o aluno aprende o tiro embarcado em aeronave de asa rotativa, adquirindo conceitos sólidos bem distantes do empirismo e que creditam um aproveitamento satisfatório nesse tipo de tiro.As situações do combate em área urbana são apresentadas ao aluno, de modo que ele adquira a competência de realizar precisos engajamentos em alvos múltiplos, em movimento e de oportunidade expostos em distâncias de 100 a 700 metros, isso tudo sob as mais diversas e desgastantes condições. 

A semana fecha com uma jornada empregando armamentos do Comando de Operações Especiais, como o fuzil MSR .338 M107A1 Barret .50 e com a execução de tiros sob condições especiais e uma pista de stress em que os alunos colocam em prática todos os tipos de tiro aprendidos no estágio. As duas semanas restantes do Estágio são dedicas ao aprendizado do planejamento, preparo e emprego operacional de Equipes de Caçadores de Operações Especiais. Instruções sobre aspectos jurídicos do tiro do caçador, comunicações, comando e controle, planejamento operacional ocupam o tempo da penúltima semana. A semana culmina com a infiltração aeromóvel de um Destacamento de Reconhecimento e Caçadores, composto pelos alunos do Estágio, com a finalidade cumprir uma missão de monitoramento de alvos em uma ambiente conjunto e interagências. 



A missão reproduz grande parte da dificuldade vivida pelos Caçadores de Operações Especiais do COpEsp. A integração dos conhecimentos adquiridos é necessária. A bagagem intrínseca da origem de cada aluno, seja das Forças Armadas ou das Forças Auxiliares, potencializa as ações Destacamento. Essa interação ocorre de maneira natural, sobretudo na fase de operações, e é um dos objetivos tácitos do Estágio. Por fim, a última semana inicia com a longa e árdua exfiltração do Destacamento de alunos após o cumprimento de sua missão. Entrar, cumprir a missão e sair o mais rápido possível sem ser percebido é primordial para um bom Caçador. Após o retraimento para o CIOpEsp o Estágio inicia sua fase de desmobilização, que é caracterizada por palestras com Caçadores de Operações Especiais consagrados no cenário nacional e internacional.

Um mini seminário é realizado onde cada aluno expõe, agora sob a ótica de um Caçador de Operações Especiais, como sua instituição utiliza essa capacidade e o que ele poderá já levar de prático para potencializar o seu emprego. Ao final da sexta semana ocorre a formatura de Brevetação do Estágio. Diversos alunos são destacados pelas habilidades como Caçador, Observador, por realizarem o trabalho de Equipe de forma correta, eficiente e eficaz. O estreitamento entre instrutores e instruendos é visível. O clã dos Caçadores de Operações Especiais se adensa. Para os alunos, agora formados, seus instrutores serão sempre grandes entusiastas e mestres atiradores, responsáveis pelos feedbacks mais duros e rudes, porém precisos visando sempre melhorar o desempenho do aluno. A bagagem de conhecimento do corpo de instrutores é elevadíssima, contando com mais de 5 anos de intenso trabalho na atividade Caçador de Operações Especiais, cursos no exterior e diversos intercâmbios. 



Ainda em que um período curto de 06 semanas mais algumas poucas de preparação, os instrutores vivem e respiram a atividade do Caçador de Operações Especiais e estão sempre fazendo o possível e impossível para melhoraria do processo ensino-aprendizagem. As instalações do CIOpEsp ainda passam por uma grandiosa obra de estruturação. Entretanto esse fato não serviu até o momento para comprometer negativamente a qualidade do Estágio. O apoio inconteste dos meios logísticos do Comando de Operações Especiais das instalações da Academia Militar das Agulhas Negras e seu campo de instrução permite o elevado nível de funcionamento do Estágio e permite as melhores condições para o aluno fazer o que é necessário: aprender a ser um Caçador de Operações Especiais. Outro fato peculiar do Estágio é a admissão única e exclusiva de Operadores Especiais. 

Isso faz do Estágio um sistema de ensino eminentemente técnico, uma vez que os alunos já foram testados em seus comportamentos atitudinais e condições físicas extremas. Embora pareça uma mera segregação, e seja visto por aqueles que confundem o real significado de Operações Especiais por não possuírem uma identidade consolidada, esse pré-requisito permite aos instrutores focar o máximo de tempo em conhecimentos novos a serem adquiridos, mormente na atividade de Caçador de Operações Especiais, ao invés de gastarem tempo com instruções individuais básicas ou cobranças agregadas de estímulos estressores em eventos simples. Por essas e outras razões o Centro de Instrução de Operações Especiais chega ao seu 10º Estágio de Caçador de Operações Especiais, capacitando mais de 120 militares nos 20 anos de desenvolvimento doutrinário desta atividade e se afirmando como uma referência nacional na condução e difusão da capacidade militar em que não há sorte, apenas habilidade.

CAÇADOR, COMANDOS! FORÇA! BRASIL!!

























Fonte e Fotos: Centro de Instrução de Operações Especiais do Exército Brasileiro
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