domingo, 19 de junho de 2016

Cães de Guerra: Conheça quem são, onde estão e como são treinados os guerreiros de 4 patas da Força Aérea Brasileira



Por: Redação OD
Que a Força Aérea Brasileira tem mais de 350 Unidades militares e em torno de 77 mil militares, isso você já sabia. Agora... você sabia que a FAB também tem vários canis espalhados pelo país, onde os chamados “cães de guerra” são treinados para realizar as mais diversas missões? Pois então... esse é o tema deste maravilhoso artigo: cães de guerra! Vem com a gente conhecer um pouco do trabalho desses guerreiros de quatro patas!  
Origem
Na primeira Grande Guerra (1914-1918), foram utilizados 400.000 cães da raça Pastor Alemão. A Alemanha, desde 1883, incorporava pastores ao seu exército, sendo que, no início da guerra, possuía cerca de 6.000 animais, aos quais anexou mais 35.000!!!

Já a França possuía um esquadrão de aproximadamente 12.000 cães. A Bélgica, a Itália e a Inglaterra também. Na 2ª Guerra Mundial, o uso foi grande, principalmente pela Alemanha, com um efetivo de 200.000 cães. Os EUA não possuíam cães de guerra. Porém, a partir desse momento, começaram a receber os cães pastores e, então, desenvolveram centros especiais de treinamento militar para cães, denominados K-9, chegando a instruir, durante o conflito, cerca de 15.000 cães, que participaram de batalhas na Europa e até mesmo na África.
Na foto, um Pastor Alemão mensageiro pronto para transportar mensagens, munição, entre outras coisas, durante a Primeira Guerra Mundial.
Eles também foram utilizados pelos Russos como cães suicidas em operações antitanques. A Inglaterra possuía dois adestradores por batalhão e uma escola especial para treinamento de cães para detecção de minas. Na Itália, destacaram-se como cães paraquedistas! Quando atuam com um grupamento de combate (que normalmente é composto por 36 homens), eles podem realizar diversas missões, tais como varreduras para detectar explosivos, munições e armas. Além disso, atuam fazendo a guarda e a segurança desse grupamento. Um exemplo disso: eles podem alertar o grupo quando ocorrer a aproximação do inimigo e, além disso, rastrear o inimigo para atacá-lo. Nesse caso, atuando em um grupamento de combate, pode haver 1 ou até 2 cães de guerra.
Mas...e na FAB?
Se você acompanha as mídias sociais da FAB, já deve conhecer a 2º Tenente Francieli Marconato. Quase garota propaganda dos cães de guerra da Força, Francieli já apareceu em várias de nossas publicações falando sobre o assunto, mas muito pouco sobre ela... Veterinária da Base Aérea de Santa Maria (e natural da mesma cidade, no Rio Grande do Sul), desde criança amava incondicionalmente os animais e sempre quis ser médica veterinária. “Esse é o sonho de muitas pessoas quando criança. Porém, persisti nesse sonho e nunca desisti. Se hoje pudesse escolher novamente o que fazer, com toda a certeza, escolheria a medicina veterinária. Amo o meu trabalho. Amo o que faço e sempre terei orgulho dessa profissão”, afirma a militar. Ser médica veterinária foi a realização de um sonho para ela.
Mas aí você pergunta: a FAB tem médicos veterinários? E nós respondemos: temos sim, vários, por todo o país! A Francieli, por exemplo, ingressou realizando o alistamento como voluntária para prestar o serviço militar. Depois disso, realizou uma entrevista e escolheu o local/unidade que desejava servir e, posteriormente, entregou o seu currículo para ser analisado. Passado algum tempo, ela foi selecionada para o Estágio de Adaptação e Serviço (EAS), que foi realizado na cidade de Canoas/RS.
Trabalho
Diariamente, a Tenente acompanha a rotina de treinamentos dos cães, além de verificar a alimentação e a quantidade de ração que eles recebem. Ela também realiza inspeções diárias em todos eles. No canil Vento Divino (esse é o nome do canil da Base Aérea de Santa Maria), atuam 14 militares, sendo um oficial médico veterinário e chefe do Pelotão de Cães de Guerra (nesse caso a Francieli), 1 sargento encarregado do setor, 1 cabo adestrador e 11 soldados adestradores.
Adestradores do Pelotão de Cães de Guerra da Base Aérea de Santa Maria: S2 Marcello, com o Border Collie Tiago; S1 Leandro Mello, com a Pastora Belga Glock; o S2 Dalongaro, com o Doberman Billy; o S2 Morais, com a Pastora Belga Ice; e o S2 Gonçalves, com o Pastor Belga Poker (nome de um dos Esquadrões de voo da BASM). 
Mas por que o nome Vento Divino? Explicamos: o canil recebe esse nome devido ao vento minuano característico dos pampas gaúchos. Também é fruto do espírito de corpo obtido pela convivência entre soldados e superiores. Além disso, o canil foi criado no dia 13 de agosto de 1976 e esse ano completará 40 anos.  
Raças utilizadas
Na Base Aérea de Santa Maria, os cães são das seguintes raças: Pastor Alemão, Pastor Belga Malinois, Pastor Suíço, Dobermann, Labrador e Border Collie. “Utilizamos essas raças devido à necessidade para cada tipo de trabalho a ser desenvolvido. São raças de fácil aprendizagem e de boa socialização”, explica a Tenente Francieli. Hoje, apenas esse canil conta com 20 guerreiros de 4 patas, que ajudam os militares a cumprir várias missões. Normalmente, os próprios adestradores escolhem o nome dos cães.
Treinamentos e dieta
Os cães são treinados desde filhotes, observando a raça e as aptidões que demonstram. Existem três importantes fases de treinamento do cão militar: a estimulação precoce, que inicia 24 horas após o nascimento do filhote; o in print (alguém aí leu Crepúsculo?), em que são instigados a conhecer novos ambientes; e a potenciação, que inicia quando os cães já estão com a musculatura mais firme e a dentição de leite já foi substituída. “Com o conhecimento que temos hoje, podemos modelar o cão para qualquer função que desejarmos, desde que as três primeiras fases tenham sido bem executadas”, explica o Tenente Veterinário Paulo Lima Borges, do canil do VI COMAR. Os cães realizam treinos de obediência básica, bem como atividades físicas por meio de corridas e treinamento na pista de obstáculos. Eles também treinam socializações com água, barulhos e altura (rapel), além de treinos específicos em cada área de trabalho. A dieta deles é ração de qualidade Super Premium.
Pastor Belga Malinois Dobby treinando faro de entorpecentes.

Pastora Belga Malinois Glock realizando treinamento de guarda com o S2 Jovani. 

Treinamento de rappel da canina Luna, da raça Labrador, na Base Aérea de Santa Maria, como parte do treinamento de busca e salvamento de pessoas desaparecidas. A altura? 10 metros!

A Tenente Francieli realiza atendimento ao canino Pastor Belga Bally (in memoriam) fazendo exames pré cirúrgicos para procedimento de ovariosalpingohisterectomia e mastectomia bilateral.

Cães participam do 2º Curso de Cães Detectores de Entorpecentes, Armas e Munição realizado no Batalhão de Infantaria da Aeronáutica Especial de Brasília.

CANOAS/RS - No Batalhão de Infantaria da Aeronáutica Especial de Canoas está sediado o Canil Chimango, que tem 10 cães, sendo 5 da raça Pastor Alemão, 4 da raça Belga de Malinois e 1 Hottweiler. Lá os cães têm treinamento focado em faro e localização de evidências para entorpecentes, além de um cão de faro de itens bélicos em geral. E como trabalho secundário, a busca ativa de pessoas em matas. Neste trabalho, entra o rastreamento de sniper inimigo. Todos eles atuam sob a supervisão do 2º Tenente Veterinário Glauco Fernandes Gomes de Freitas.
Treinamento no Canil Chimango em Canoas/RS.

Treinamento de rastreamento de sniper inimigo com o cão Pétros, da raça Malinois. O maior inimigo de um sniper é o outro sniper. E o segundo maior inimigo é o cão de guerra.
Não pergunte se eles são capazes. Dê-lhes a missão!
Olha só o nível! Os cães são treinados para realizar missões de faro de entorpecentes e explosivos, para guarda e segurança de instalações, busca e salvamento de pessoas, treinamento para participação em formaturas militares. Além disso, também realizam a segurança do aeródromo, espantando os pássaros que ali pousam (evitando o perigo aviário). Quando a Unidade recebe visitantes, eles também realizam apresentações como demonstração de obediência, pista de obstáculos, de guarda e de faro. Em 2007, a Pastora Belga de Malinois Bally participou dos Jogos Pan-Americanos como farejadora de entorpecentes. Já o Pastor Belga de Malinois Zina também atua como farejador de entorpecentes em operações em Santa Maria, em conjunto com a Brigada Militar, Polícia Civil e Receita Federal.
Confira, abaixo, um pouco mais do trabalho dos nossos cães de guerra atuando em diversas missões.
Cães fazem segurança e buscas durante grandes eventos, como a Rio+20 e a Copa do Mundo de 2014.

Militares do Batalhão de Infantaria da Aeronáutica Especial do Galeão e seus Cães fazem a segurança da Base Aérea do Galeão.

Cão do Pelotão de Cães de Guerra da Academia da Força Aérea durante demonstração para o público em um Domingo Aéreo

Militar e seu cão realizando a segurança aeroportuária no Rio de Janeiro.

Cães da Base Aérea de Natal atuando na segurança das instalações e de aeronaves durante a Operação Cruzex. 

Grupo de Combate de Cães de Guerra (GCCG) do Batalhão de Infantaria (BINFA 22) da Base Aérea de Natal (BANT) com cães de guarda da raça rottweiler, auxiliam no patrulhamento e policiamento do exercício CRUZEX.

FLORIANÓPOLIS/SC - A Base Aérea de Florianópolis conta com o Pelotão de Cães de Guerra Guerreiros do Sul, tendo em seu efetivo 4 Pastores Belga de Malinois, 2 Labradores e 1 Rottweiler, que atuam em atividades de guarda e proteção, guarda de instalações, faro de entorpecentes e um dos cães está recebendo formação para atuar em missões de busca e salvamento. O chefe do canil é o 2º Tenente Veterinário João Henrique Bressan Malavazi.
SÃO PAULO/SP - A Base Aérea de São Paulo tem, atualmente, 6 cães: 1 Pastor Alemão e 5 Pastores Belga de Malinois. E a 2º Tenente Veterinária Daniela Martins Luciano Borges que gerencia os cães.
PIRASSUNUNGA/SP - Como você viu acima, nessa cidade está sediado o Pelotão de Cães de Guerra da Academia da Força Aérea, que tem o seguinte efetivo de cães: 3 cães da raça Pastor Belga de Malinois, 4 cães da raça Pastor Alemão e 1 Rottweiler. Eles atuam em atividades como: 2 cães para guarda de instalações, 3 cães de patrulha, 1 cão de faro de drogas e 2 cães em formação para faro de drogas.
RIO DE JANEIRO/RJ - O Pelotão de Cães de Guerra do Batalhão de Infantaria da Aeronáutica Especial do Galeão tem 12 cães, sendo 1 Pastor Alemão, 2 Labradores e 9 Pastores Belga de Malinois. 
BRASÍLIA/DF - O Pelotão de Cães de Guerra Guardiões da Alvorada, do Batalhão de Infantaria da Aeronáutica Especial de Brasília, tem 18 cães da raça Pastor Belga de Malinois, que realizam missões de guarda e proteção/choque, faro de entorpecentes e busca e salvamento. Tudo sob a coordenação do 1º Tenente Veterinário Paulo André Lima Borges e da 2º Tenente Veterinária Flávia Aline Silveira Alvim Mendes de Oliveira.
ANÁPOLIS/DF - O Pelotão de Cães de Guerra da Base Aérea de Anápolis conta com os seguintes cães: 1 Pastor Alemão Capa Preta, 4 Pastores Alemães Cinza, 10 Pastores Belga de Malinois, 2 Jack Russel Terrier de Duplo Emprego K-9 (ataque e faro). O 2º Tenente Leonardo Alcântara Dias é o veterinário responsável. 
GAMA/DF - A Terceira Força Aérea tem no seu efetivo os seguintes cães de guerra: 3 Pastores Alemães Capa Preta e 2 Malinois.
SALVADOR/BA - O Pelotão de Cães de Guerra do Batalhão de Infantaria da Aeronáutica da Base Aérea de Salvador é comandado pelo Tenente Veterinário Maurício Dias Moura. Na foto abaixo, um dos cães em um desfile na cidade. Atualmente, o canil tem 8 cães, sendo 3 Rottweillers, 2 Pastores Belga de Malinois e 3 Pastores Alemães.

MANAUS/AM - O Pelotão de Cães de Guerra do Batalhão de Infantaria da Aeronáutica Especial de Manaus conta com 3 Pastores Alemães (o Mac, o Bolt e a Pandora), 2 Pastores Belga de Malinois (a Hanna e uma filhote de 60 dias, sem nome ainda), 1 Labrador Ratrivier (chamado Zeus) e 1 Pastor Holandês (o Thauros). Eles atuam realizando missões de faro de explosivos, faro de entorpecentes, além de cumprirem atividades de guarda e proteção.
A 2º Tenente Veterinária Raquel Tomé do BINFAE MN com o cão Bolt.

Os cães de Manaus aprimoram o condicionamento físico nessa piscina. Na foto está a cadela Rubi.
BELÉM/PA - No Pelotão de Cães de Guerra do Batalhão de Infantaria da Aeronáutica Especial de Belém (Batalhão Marajó), os cães são treinados em guarda e proteção, além de faro de entorpecentes. Além disso, eles cumprem missões de guarda de radares, policiamento ostensivo e faro em unidades e bagagens. Atualmente são 11 cães que lá atuam: 6 Pastores Belgas de Malinois, 1 Rottweiler, 2 Pastores Alemães e 1 Labrador, todos sob a coordenação do 2º Tenente Veterinário Rodrigo.
BOA VISTA/RR - Na Base Aérea de Boa Vista, está sediado o Canil Arimaraka que, atualmente, conta com 8 cães, sendo 5 Malinois, 2 Pastores Alemães e 1 Labrador. A chefe lá é a 2º Tenente Veterinária Laressa Kaore Kakimoto.
Aposentadoria? Sim, para eles também...
Esses guerreiros ficam ativos conforme sua resposta aos treinamentos. Em média, eles ficam 8 anos ativos. Quando acaba seu tempo, eles são doados, geralmente, para os seus treinadores ou para outras famílias que tenham interesse em adotar algum desses cães. Isso mesmo! Essa é uma dica que poucos conhecem... se você tem interesse e condições de adotar um desses animais, procure a unidade mais próxima e se informe! 
Bônus você sabia?
Esse é o Cairo. Ele é um cão americano que participou de uma operação ultrassecreta e ajudou a capturar um dos vilões mais procurados de todos os tempos, o terrorista Osama bin Laden, em 2011. Dias após essa missão, ele recebeu um afago de um dos homens mais importantes do mundo, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.
Confira esse vídeo produzido pelo CECOMSAER: FAB forma mais uma turma de condutores e cães farejadores: 


FONTE: Força Aérea Blog

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