terça-feira, 10 de julho de 2018

Fornecedores da Embraer temem perder espaço após acordo com Boeing



Por: Redação OD

A base industrial aeronáutica brasileira está preocupada com os impactos que a nova aliança entre a Embraer e a Boeing terá no futuro dessas empresas caso haja uma política do governo que garanta a preservação dos fornecedores nacionais. "Se não tiver proteção, a cadeia [produtiva] vai morrer num curto espaço de tempo, por falta de acesso ao mercado global e de competitividade", disse o direto titular do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) em São José dos Campos, Cesar Augusto Andrade e Silva. A cadeia produtiva da Embraer no Brasil é formada hoje por cerca de 70 empresas, que empregam em torno de cinco mil funcionários e estão dedicadas à venda de serviços de industrialização de baixo valor agregado, como fornecimento de peças usinadas e serviços.

Apenas dez dessas empresas são exportadoras. "O Brasil abriga a terceira fabricante de aviões mais importante do mundo, mas as pequenas e médias empresas do setor aeroespacial do país ainda estão fora cadeia global de fornecimento de aeroestruturas, um mercado estimado em US$ 60 bilhões", ressaltou Silva. O executivo explica que se o Brasil conseguisse alcançar pelo menos 2% deste mercado, em cinco anos, poderia faturar algo em torno de US$ 1,2 bilhão, além geração de pelo menos 8 mil empregos diretos e mais de 40 mil indiretos. O Ciesp encaminhou uma carta aos representantes do governo e da Força Aérea na negociação da aliança entre a Boeing e a Embraer, pedindo proteção para base industrial brasileira.

A ideia, de acordo com o diretor da entidade, é que o governo exija uma contrapartida da Boeing para trazer conhecimento em term de capacitação das empresas para que elas possam atender a um mínimo de contratos dentro da cadeia de fornecimento global da Boeing. "Esta seria uma grande oportunidade para a indústria nacional se desenvolver como fornecedora de nível global, reduzindo a sua extrema dependência da Embraer e abrindo novas oportunidades de negócios no mundo", destacou.

*Com informações do Jornal Valor Econômico

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