terça-feira, 26 de junho de 2018

Austrália investe em drones não tripulados para ajudar na vigilância sobre o Mar do Sul da China

A Austrália irá investir U$S 6 bilhões para a adquisição de seis Northrop Grumman MQ-4C Triton como parte de suas operações de vigilância
Por: Redação OD

Frente a crescente “expansão” chinesa pelo tão disputado Mar do Sul da China, a Austrália está gastando grandes cifras de dinheiro em aeronaves não tripuladas, já que as mesmas podem voar mais alto e mais longe que as suas tripuladas, e assim auxiliam nas operações de vigilância sobre as áreas sensíveis. Recentemente, o primeiro-ministro Australiano Malcolm Turnbull, revelou que seu governo irá investir U$S 6 bilhões para à adquisição de seis unidades do Drone MQ-4C Triton, da empresa Northrop Grumman, "por meio do programa de vendas militares estrangeiras (Foreign Military Sales - FMS) com a Marinha dos Estados Unidos".


Os Tritons virão para complementar os serviços de vigilância aérea feito pelas aeronaves que a Austrália já usa para vigiar suas fronteiras marítimas, conduzir quando acionado a realização de buscas e salvamento e realizar exercícios de Liberdade de Navegação no contestado Mar do Sul da China. O ministro da Indústria de Defesa, Christopher Pyne, disse à Australian Broadcasting Corporationque que os drones, que podem viajar até 45,000 Km, onde serão usados para rastrear navios estrangeiros, de contrabandistas e piratas. A aeronave, que tem capacidade de degelo, voará para o norte até o Oceano Índico e para o sul até a Antártida, onde o exército australiano monitora a atividade da Zona Econômica Exclusiva do país, uma área marítima de cerca de 4 milhões Km². "É muito importante para nós saber quem está operando em nossa área e, portanto, ser capaz de responder, se necessário, a qualquer ameaça", disse Pyne à ABC News.

A Austrália insiste em ter o seu direito de viajar pelo Mar do Sul da China em águas internacionais como sempre fez, seja com navios de superfície ou com aeronaves, independentemente dos meios que a Marinha Australiana possa vir à obter de suas operações de vigilância, ela será compartilhada com as outras nações que são membros dos "Cinco Olhos" - Estados Unidos, Nova Zelândia, Canadá e Reino Unido. A intenção pela aquisição de drones fora anunciada pela primeira vez em 2014 pelo então primeiro-ministro Tony Abbott. "Acredito que há tempos, outros ministros teriam falado sobre essas possibilidades, mas agora é real e não apenas uma idéia", disse Michael Shoebridge, diretor de defesa e estratégia do Australian Strategic Policy Institute.

Acredita-se que o anúncio, foi motivado pelo fato de que o governo de Canberra esteja gastando algo em torno de U$S 150 milhões em um programa conjunto com a Marinha dos EUA para desenvolver e sustentar a aeronave na base da Força Aérea Australiana em Edimburgo, ao norte de Adelaide, capital do país. "Eu não acho que isso seja novidade para os chineses porque tem sido uma coisa pública que o governo australiano tem investido nele", disse Shoebridge, "Isso irá apenas complementar a Liberdade de Navegação e as atividades de vigilância aérea que a Marinha Australiana e a Força Aérea realizam o tempo todo, chegando ao ponto de que a presença australiana lá em cima seja plena". A China vem desafiado repetidamente a Marinha Australiana, em um episódio mais recentemente, três navios de guerra da marinha australiana estavam a caminho do Vietnã para uma visita, e foram amplamentes afrontados por navios chineses.

A China, reivindica uma grande faixa do Mar da China Meridional como sendo seu território, esta afirmação se sobrepõe aos interesses de Vietnamitas, Filipinos e outros regionais, as águas desta região é uma das mais disputadas no mundo. Pequim realizou exercícios militares na região em disputa em abril, onde incluiu-se uma enorme parada militar supervisionada pelo presidente chinês Xi Jinping. Para reforçar suas reivindicações na região, a China construiu e militarizou uma série de ilhas artificiais em todo o Mar do Sul da China, construindo aeródromos e estações de radar. Mês passado, navios de guerra da Marinha dos EUA passaram por algumas destas ilhas disputadas, como forma de se fazer uma repreensão a Pequim. Em um comunicado o porta-voz do ministério da defesa chinês, Lu Kang, pediu aos EUA que "parem imediatamente tais ações provocativas que interferem na soberania da China e ameaçam a segurança da China". 

O primeiro dos novos drones não devem entrar em operação até 2023, anunciou a Turnbull, acrescentando que todos os seis serão entregues e estarem em operação até 2025. Shoebridge revelou ainda que, os drones poderão ser operados a partir do sul da Austrália, mesmo quando forem lançados de Darwin, a 3.500 Km ao norte da base da força aérea, onde atualmente também abriga-se uma força de 1.500 fuzileiros marines dos EUA, onde realizam exercícios conjuntos ao lado das forças australianas como parte de uma aliança militar entre os dois países, a qual começou na Primeira Guerra Mundial. Parte dessa aliança agora serve para verificar a influência crescente da China na Ásia-Pacífico, da qual esses exercícios de liberdade de navegação são fundamentais.

*Com informações de agência de notícias internacionais

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