domingo, 15 de abril de 2018

A anatomia de um ataque: de onde partiram, quais armas foram usadas e que alvos foram atacados na Síria


Por: Redação OD

"O maior envio de forças militares para a uma zona de conflito, desde a guerra do Iraque" era o título da revista TIME. Tendo a foto do porta-aviões USS Harry S. Truman, como ilustração principal, numa clara demonstração de força e capacidade deste navio em transportar um variado mix de aeronaves (90 ao total). Na quarta-feira, dois dias antes deste ataque, o porta-aviões tinha suspendido de sua base naval na Virginia em direção ao Mediterrâneo. Menos de 48 horas depois, EUA, França e Reino Unido atacara, a Síria. De onde foram lançados esses ataques e quais armas foram utilizadas?

O relógio marcava quatro da manhã na capital Damasco, quando os Estados Unidos, num esforço militar coordenado com a França e o Reino Unido, lançaram um ataque militar contra alvos específicos do arsenal de defesa da Síria, o que estava escuro e silencioso sobressaltou-se e várias linhas de luz começaram a cruzar os céus nos arredores da capital da Síria. O Pentágono noticiou a imprensa que foram disparados mais de 100 mísseis contra alvos específicos Sírios. Mas como é que, de fato se deu o ataque? Segundo o Ministério da Defesa do Reino Unido, quatro aviões Tornados da Royal Air Force saíram da base britânica de Akrotiri, no Chipre, e dispararam mísseis Storm Shadow sobre uma antiga base de mísseis na Síria, perto de Homs, a 160 km ao norte de Damasco, onde os serviços de informações dos três países acreditam que o governo sírio tem armazenado armas químicas.


Os Tornados utilizados são do tipo GR4, o mais avançado avião no arsenal do Reino Unido quando se trata de ataques com mísseis. Como carga levam os Storm Shadow, um míssil de quase 500 Kg que pode viajar 400 Km/h sem perder a precisão do seu alvo, e com isso os Tornados da RAF não precisaram ter entrado em espaço aéreo sírio para realizar este ataque. Como tem sido repetido um pouco por todos os governos envolvidos, a ação militar da madrugada de sábado quis “maximizar a destruição dos produtos químicos armazenados e minimizar quaisquer riscos de contaminação para as áreas circundantes”, segundo se lê num comunicado do governo britânico difundido esta madrugada. A ofensiva teve como alvos instalações utilizadas para produzir e armazenar armas químicas, informou o Pentágono.

O primeiro ataque, ocorrido perto de Damasco, teve como objetivo um centro de investigação científica utilizado, segundo o chefe de Estado Maior Conjunto dos EUA, general Joseph Dunford, para a “investigação, desenvolvimento, produção e testes de armas químicas e biológicas”. O segundo deu-se sobre um depósito de armas químicas situado a Oeste de Homs (a 160 Km ao norte da capital Damasco); e o terceiro afetou um armazém de armas químicas e um "importante centro de comandos", ambos situados perto do depósito de armas químicas, ainda segundo Dunford. Um pouco antes das forças norte-americanas e britânicas terem decolado da base militar no Chipre, caças franceses Rafale descolaram da base aérea de Saint-Dizier, no nordeste Frances.


O jornal “Le Figaro” já tinha revelado que o Presidente francês, Emmanuel Macron, não iria utilizar as bases militares que mantém nos Emirados Árabes e na Jordânia para não colocar mais tensão entres seus aliados na região. Navios de guerra franceses, armados com mísseis MdCN (Missile de Croisière Naval) e 16 canais de lançamento, manteve o alcance dos mísseis que podem chegar aos 1000 km. A ministra da Defesa de França, Florence Parly, colocou no Twitter o momento do lançamento, contagem decrescente incluída: O Observatório sírio para os Direitos Humanos informou que, os três alvos bombardeados foram evacuados previamente pelo regime do ditador Bashar al-Assad, antevendo a hipótese de um ataque. 

“Cerca de 30 mísseis foram disparados no ataque e um terço deles foi interceptado, tivemos um aviso dos russos sobre um possível ataque e todas as bases militares foram evacuadas há alguns dias”, disse à Reuters uma fonte ligada ao regime que também confirmou o lançamento de treze mísseis, cerca de um terço interceptados pelas defesas síria e russa. Segundo a Tv estatal síria, três civis ficaram feridos na sequência de ataques a uma das bases militares em Homs. A mídia confirma ainda que, fora destruído o edifício onde se encontrava o centro de pesquisa e o laboratório.


É um "ataque-castigo" mas as consequências políticas serão inevitáveis. Putin se manifestou, dizendo que este ataque é “um atentado contra um país soberano” e Trump , por sua vez, disse que a Russia “não devia apoiar um animal que usa gás tóxico sobre a sua própria população”. Na quarta-feira, o diário britânico “The Times” deu a notícia do envio por parte dos EUA do porta-aviões USS Harry S. Truman em direção ao mar Mediterrâneo. A esta altura, o destróier USS Donald Cook, navio que possui armas a bordo com a capacidade de destruir mísseis teleguiados e equipado com mísseis de precisão Tomahawk, os mesmo usados contra bases militares na Síria há um ano, já estaria no Chipre.

Uma fonte do departamento de Defesa dos Estados Unidos disse à rede CNN que a USAF teria utilizado os seus bombardeiros estratégicos de longo alcance B-1B Lancer. Não se sabe ainda, que tipo de mísseis fora levados a bordo dos B-1B, mas a mesma fonte confirmou que os mísseis de precisão lançados foram lançados do ar. O mais provável é serem os “de sempre”, ou seja os Tomahawks. Centenas de aviões, navios e submarinos, britânicos e americanos, estão equipados com estes mísseis porque os mesmo são capazes de voarem muito próximo do solo, dificultando assim a sua detecção e por conta do seu sistema de “orientação” incorporado, podem mudar de rota se o controlador assim o desejar e desviam-se de alvos fixos no caminho até seu alvo. Não há confirmação de qual terá sido o ponto de partida dos B-1B mas a mesma fonte disse que, alguns dias antes do ataque, vários bombardeiros chegaram à base de Al Uldeid, no Qatar.


*Com Informações de Agências de Notícias Internacionais
Postar um comentário