domingo, 25 de fevereiro de 2018

Equipamentos militares em mau estado de conservação, coloca em xeque a capacidade da Alemanha em participar de missões na OTAN


Por: Redação OD

Submarinos que não estão em condições de serem usados, falta de horas de voo a pilotos por não haver aviões disponíveis, milhares de vagas por preencher, falta de equipamentos que vai desde coletes balísticos a tendas. Poderíamos estar falando sobre um país de 3° mundo, mas esta descrição de fatos, é o retrato das Forças Armadas Alemã. Em um relatório recente do Parlamento sobre as Forças Armadas foi verificado um quadro problemático sobre os equipamentos e a capacidade militar da Alemanha e com isso seus aliados na OTAN temem que o país não esteja pronto para comandar uma força de reação rápida criada em 2014 contra eventuais ações de forças inimigas no Leste Europeu.


No final do ano, seis dos seis submarinos não estavam a em condições de serem operados”, disse o porta voz das Forças Armadas, Hans-Peter Bartels, numa conferência de imprensa na semana passada em Berlim. “Houve casos em que nenhum dos 14 Airbus A-400 M estivessem em condições de voar.” Um dos problema ligado a este é que, pilotos, que vão desde os Eurofighters até os dos Tornados e ainda os dos principais tipos de helicópteros, não conseguem obterem horas de voo suficientes para completarem o seu treinamento. Segundo o jornal Die Welt, em média estes aviões e helicópteros estão disponíveis quatro meses por ano para uso, de treinamento e exercício — os oito meses restantes, eles estão em terra para manutenção e atualizações.


A Marinha também vem tendo problemas: só há nove fragatas disponíveis para as missões, quando na verdade deveriam ser 15, e mesmo estas nove passam muito tempo paradas porque precisam de manutenção devido à sua idade. A Alemanha está cada vez mais sendo conhecida como “papel de relevo na defesa”, e depois de décadas de timidez militar ela se faz presente em 13 missões no estrangeiro, incluindo países como o Afeganistão e o Mali. Mas o relatório é claro: o estado das Forças Armadas é “péssimo”. Uma fonte do ministério da Defesa citado sob anonimato pela Reuters disse que no ano passado a utilização de carros de combate e outras armas praticamente duplicou por haver cada vez mais exercícios, maa a necessidade de manutenção e de peças que não estão disponíveis, os coloca em quase um colapso.


A nível de pessoal o quadro não é o melhor: há 21 mil vagas de oficiais e militares graduados para preencher. Porém, o responsável diz que a situação já esteve pior, “Estamos num ponto de mudanças”, garante. A questão mais urgente é o comando da força de intervenção rápida (Very High Readiness Joint Task Force) da OTAN, a qual foi criada em 2014 após a anexação da Crimeia pela Russia. A força é atualmente comandada pela Itália e tem cinco mil militares prontos para entrarem em ação em 24 h. No entanto, segundo o periódico Deutsche Welle, apenas o Reino Unido e a França têm este tipo de capacidade de resposta. Um relatório confidencial do Ministério da Defesa da Alemanha citado pelo jornal Die Welt revela que a brigada de infantaria n° 9, que está em preparação para esta missão, só tinha disponíveis nove dos 44 carros de combate Leopard previstos, e apenas três dos 14 blindados Marder — além de não haver óculos de visão noturna e roupa de Inverno. Também eram necessárias mais de dez mil tendas, e só há 2500 disponíveis.


O relatório diz que a solução para esta “situação escandalosa” era tentar equacionar o “déficit de capacidade com o material de outras unidades”, mesmo considerando o impacto que isso possa a vir dar no conjunto das Forças Armadas. Um porta-voz do Ministério da Defesa garantiu que as tropas que irão integrar a missão estão na fase de “preparação e mobilização” e que ainda está sendo verificado o equipamento disponível e registado as necessidades. Os items em falta “estão sendo adquiridos”, disse o porta-voz, Jens Flosdorf, citado pelo Deutsche Welle. O general Volker Wieker, inspector-geral do Exército, também garantiu que o material necessário estará disponível para a força da OTAN em Junho, mas irá levar pelo menos dez anos para reverter-se os cortes orçamentários que deixam estas falhas “insatisfatórias” na capacidade militar do país. O provedor Bartels sublinhou que “como o maior país da União Europeia, o segundo maior na OTAN é um país no centro da Europa, a Alemanha tem um mandado claro para a defesa colectiva na Europa”.


A Alemanha está ainda sendo pressionada para aumentar os seus gastos em Defesa para um nível mais próximo dos 2% exigidos aos membros da OTAN (mas que poucos cumprem) — este ponto foi alvo de discórdia da grande coligação entre conservadores e sociais-democratas (que estão dependente da aprovação, do referendo, pelos membros do SPD, onde o resultado deverá ser conhecido no dia 4 de Março). O SPD, que se opõe ao aumento, concordou, mas conseguiu que no acordo não fosse referida uma meta concreta. Há quem avise que, mesmo havendo um rápido aumento do orçamento os problemas deverão manter-se. Mark Galeotti, do Centro para a Segurança Europeia, em Praga, explica que “a questão não é só comprar o que falta, é ter as peças sobresselentes, a infraestrutura técnica, meios de transporte, locais de reabastecimento”. “Os carros de combate são surpreendentemente temperamentais.”

*Com Informações de Agência de Notícias Internacinais

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