quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Saab solicita audiência ao Ministro da Defesa e quer uma posição do Governo sobre venda da Embraer à Boeing


Por: Redação OD
 O ministro da Defesa, Raul Jungmann, deve receber nesta quinta-feira executivos da fabricante sueca de caças, Saab. O governo sueco recentemente já enviou sinais ao Brasil de grande preocupação com a possibilidade de uma compra da Embraer pela americana Boeing, concorrente da Saab no mercado de caças. Há indicações, inclusive, de que o acordo feito em torno do Gripen, que envolve a transferência de tecnologia dos suecos para o Brasil, fica em risco e pode ser revertido, dependendo do destino que as negociações entre Embraer e Boeing tomarem. A americana é uma concorrente direta dos suecos, como ficou claro na disputa entre o caça F-18 dos americanos com o Gripen da companhia sueca na licitação finalizada em 2013 pelo Brasil.

Esse é um dos fatores que pesam contra os avanços nas negociações entre a Embraer e a Boeing e o veto dado pelo governo federal a qualquer forma de controle da americana sobre a brasileira. Por conta dessa decisão de não permitir qualquer forma de controle pela americana, alternativas têm sido pensadas, como a criação de uma terceira empresa com sociedade da Boeing e da Embraer, podendo a americana ser majoritária, para projetos e ações específicas, mantendo a companhia nacional independente e autônoma.  A reunião de hoje ocorrerá a pedido dos suecos, segundo uma fonte informou, e onde o ministro Jungmann deve reforçar a mensagem de que o governo brasileiro não aceita que a fabricante nacional tenha seu controle tomado pelos americanos, por motivos estratégicos e comerciais. 

Durante a reunião deve-se deixar claro também que é do interesse do Brasil que uma eventual parceria com a Boeing seja feita sem que haja qualquer risco para o sigilo das tecnologias fornecidas pelos suecos nos processos envolvendo a fabricação de caças. O governo brasileiro tem na "golden share" (ação de classe especial que dá poderes de veto ao governo em questões como controle societário, entre outros) um trunfo importante para convencer os suecos de que cuidará para que as negociações não representem riscos para a atual parceria envolvendo o Gripen, cuja manutenção é considerada da maior importância. Mesmo diante da insegurança gerada pelas negociações entre Embraer e Boeing, havia expectativa ainda no governo de que os representantes da Saab pudessem na reunião de hoje também discutir a possibilidade de ampliação da atual parceria, pautada no fornecimento de 36 caças. 

A reunião está prevista para ocorrer na sede do Ministério da Defesa, às 11 horas. A delegação da companhia já estava nesta quarta feira reunida na embaixada sueca em Brasília. A pressão dos suecos, de certa forma, contrabalança o movimento que o governo tem identificado nos bastidores por parte da Boeing. A americana estaria tentando jogar com informações de que o Brasil poderia eventualmente ceder nas negociações a partir da garantia de que a área de defesa da Embraer manteria sua independência e autonomia, liberando a parte comercial da companhia. Mas o governo brasileiro também rejeita essa hipótese, porque avalia que as operações comercial e civil têm uma simbiose que não pode ser ignorada. 

Isso ocorre porque a área militar, demandada e, em parte financiada pelo governo, gera tecnologia que é aproveitada na operação comercial, que por sua vez fortalece e sustenta a longo prazo a operação militar da empresa. Vale lembrar ainda que atualmente cerca de 80% dos aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) são feitos, modernizados ou mantidos pela Embraer, o que reforça o caráter estratégico da companhia para o Brasil. A área de Defesa acredita que nos próximos anos esse índice poderá subir para uma faixa entre 90 e 95%. Para o governo brasileiro, se uma parceria com a Boeing, por meio de uma nova empresa ou por algum outro desenho, é algo que pode agregar valor e mercados para a Embraer, a necessidade da Boeing é maior, dada a perda de mercado para a Airbus e a nova configuração da indústria de aviação. Por isso, o entendimento do governo é que os americanos, mesmo inicialmente tendo o desejo de comprar totalmente a Embraer, devem tentar chegar a um denominador comum com o Brasil.

FONTE: Jornal valor Econômico

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