segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Embraer diz que acordo com Boeing manterá segurança nacional, e presidente da Akaer fala de que novo rumo terá impacto no setor


Por: Redação OD

A Embraer divulgou nesta segunda-feira (8) comunicado em que reitera que a eventual combinação de negócios com a Boeing, se e quando concretizada, deve preservar interesses estratégicos da segurança nacional e a ação de classe especial (golden share) do governo brasileiro. A empresa já havia feito uma comunicação semelhante à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), no dia 3 de janeiro. O comunicado dde hoje foi uma resposta a questionamentos da B3 sobre notícias na imprensa de que a Embraer e a Boeing estariam tentando driblar a resistência do governo com o negócio e que a empresa brasileira foi avaliada em US$ 28 por recibo de ações negociadas em Nova York (ADR).

"A administração da Embraer tomou, como sempre tem feito, boa nota das manifestações públicas do Governo Brasileiro e seguirá em conformidade com elas em quaisquer futuros entendimentos", informou a empresa, no comunicado. Sobre o valor de US$ 28 por ADR, a Embraer esclarece que não há sequer definição sobre a estrutura de uma potencial combinação de negócios. "Dado esse cenário, não cabe à Embraer especular acerca dos critérios de avaliação adotados pela Boeing", informou. No dia 21 de dezembro de 2017, a Embraer confirmou, em comunicado conjunto com a Boeing, a existência de tratativas para uma potencial combinação de negócios. Naquele dia, as empresas informaram que a transação estará sujeita à aprovação do governo brasileiro e dos órgãos reguladores, dos conselhos de administração das duas companhias e dos acionistas da Embraer.

Novo rumo da Embraer terá impacto no setor, diz Presidente da Akaer


Os novos rumos da Embraer no mercado de aviação mundial podem ser decisivos para deslanchar a cadeia aeroespacial brasileira em direção às exportações de componentes e serviços. Excluindo a Embraer, a participação das empresas brasileiras no fornecimento de aeroestruturas é próxima de zero. O mercado global das fornecedoras de nível um (tier one), sem incluir as OEMs (fabricante do equipamento original), movimenta anualmente US$ 50 bilhões. A maior parte das peças e componentes que a Embraer utiliza é comprada no mercado externo. Apurou-se que as empresas brasileiras estão descapitalizadas e sem recursos para investir em novos desenvolvimentos e de maior valor agregado. 

A cadeia de fornecedores nacionais da Embraer é formada por 70 empresas. Para o presidente da Akaer, especializada no desenvolvimento de aeroestruturas e gestão de projetos, Cesar Augusto da Silva, a parceria entre Boeing e Embraer pode ser uma oportunidade para as empresas brasileiras ganharem competitividade e conhecimento necessários à sua inserção na cadeia global da fabricante americana. A Embraer chegou a responder por 60% do faturamento da Akaer em 2015, mas hoje caiu para 20%. A sueca Saab tem participação de 50% no faturamento da Akaer. Em 2017, segundo Silva, a empresa deve fechar com receita de R$ 48 milhões, ante os R$ 55 milhões do ano anterior. 

"A queda na receita foi devido principalmente ao cancelamento de alguns contratos com a Embraer, que decidiu adiar programas e internalizar serviços", disse. As empresas da cadeia aeronáutica, segundo o presidente da Akaer, precisam de uma política industrial que garanta o desenvolvimento de bons projetos, especialmente na área de estruturas para reduzir a dependência da Embraer. "Isso exige apoio maior do governo no início, mas depois isso é compensado com as exportações", disse o empresário. Silva lembra que o governo deixou escapar a oportunidade de desenvolvimento da cadeia como fornecedora de classe global com o programa do jato de transporte militar KC-390.


O governo investiu US$ 2,5 bilhões no desenvolvimento desta aeronave. "Precisamos participar do ciclo completo de fornecimento de componentes, desde o projeto, compra, fabricação até a entrega do produto." A Akaer foi uma das poucas empresas brasileiras a participar da fase de concepção do KC-390. "Projetamos 70% da estrutura da aeronave e também tivemos uma parcela do projeto detalhado da fuselagem dianteira, do estabilizador vertical e spoilers", explicou. O empresário lembra que a Kawazaki deixou o desenvolvimento das asas da primeira família de E-Jets da Embraer após aprender a fazer grande parte do trabalho.

"A Embraer teve que assumir essa função e nós fizemos toda a revisão do projeto da asa para que o projeto tivesse continuidade." Com o apoio financeiro do governo espanhol e suporte técnico da Embraer, a Aeronova se capacitou para se tornar fornecedora no programa de desenvolvimento da primeira família de jatos da brasileira, para 50 passageiros. Hoje a Aeronova se tornou uma fornecedora de classe um do mercado mundial de aeroestruturas. Para continuar crescendo e diminuir a dependência da Embraer, a Akaer buscou novos clientes. A sueca Saab transferiu importantes responsabilidades no projeto de desenvolvimento de partes estruturais do caça Gripen, adquirido pela Força Aérea Brasileira (FAB).

Amparada pela Finep, a Akaer investiu R$ 40 milhões na criação de uma empresa integradora, com capacidade para desenvolver, produzir e entregar aeroestruturas equipadas para as OEMs. Sua carteira de clientes inclui ainda a Boeing e Airbus. "Fizemos a revisão de toda a parte elétrica da cabine de comando do A380", afirmou. Nos últimos dois anos a Akaer investiu R$ 80 milhões na aquisição de empresas, diversificação do portfólio e em um processo de internacionalização. Recentemente abriu uma empresa em Portugal e pretende se instalar nos EUA.

*Com Informações do site Valor Econômico

Nenhum comentário: