quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

China se aproxima da supremacia naval dos EUA, ao adquirir empresa britânica de tecnologia

O segundo porta-aviões da China, Tipo 001A, é visto durante uma cerimônia de inauguração no estaleiro de Dalian, na província de Liaoning, Nordeste da China, em 26 de abril de 2017 (STR/AFP/Getty Images)
Por: Redação OD

A China alcançou um avanço crítico em seu programa de porta-aviões, incorporando tecnologia-chave de uma empresa britânica que fora adquirida discretamente há uma década. A compra não foi averiguada pelos reguladores britânicos na época, embora o dispositivo semicondutor fundamental em questão tenha sido especificamente listado como sujeito ao controle de exportação pelos regulamentos da União Europeia. Em jogo está a capacidade da China de competir diretamente com o poder dos porta-aviões dos EUA e ser capaz de lançar aeronaves mais pesadas e poderosas.  A China e os Estados Unidos têm competido acirradamente para desenvolver a próxima geração de sistema eletromagnético de lançamento de aeronaves (EMALS) há mais de uma década e, até recentemente, pensava-se que os Estados Unidos lideravam a corrida com seu próximo porta-avião da Classe Ford, que foi projetado especificamente para usar catapultas de propulsão eletromagnética.

Relatos recentes indicam que a China pode estar lado a lado com o progresso dos EUA, segundo matéria publicada pelo jornal do Exército da Libertação Popular (ELP) da China em outubro, alegando que um teste de lançamento bem-sucedido de aeronave da Marinha foi conseguido usando-se um “sistema de lançamento experimental”. O site francês East Pendulum, que monitora os desenvolvimentos militares asiáticos e particularmente o dos chineses, também informou que imagens de satélite e fotos públicas dos testes corroboram para as alegações. Embora o desenvolvimento do EMALS nos EUA e na China tenha permanecidos altamente secreto, acredita-se que a construção desse sistema exija um componente semicondutor crítico chamado chip de transistor bipolar de porta isolada (IGBT). O chip pode alternar a corrente elétrica para os enrolamentos do motor em milissegundos para permitir o lançamento mais eficiente de aeronaves do convés de porta-aviões.

Aquisição da empresa afligida

O avanço da China no EMALS é devido em grande parte ao fato de que agora ela pode produzir seus próprios chips de IGBT com as especificações exigidas, de acordo com uma reportagem do Diário da Manhã do Sul da China, com sede em Hong Kong. A matéria diz que a China assegurou a tecnologia de IGBT necessária, ao adquirir a Dynex Semiconductor, uma empresa britânica de semicondutores relativamente pequena, mas que vendeu 75% de sua participação para a empresa estatal chinesa Zhuzhou CSR Times Electric.Esta aquisição, ocorreu em 2008 logo após a crise financeira global, foi aprovada pelo governo do então primeiro ministro Gordon Brown, que não a via como uma ameaça à segurança nacional, revelou uma fonte anônima no atual governo britânico. O IGBT foi listado na categoria III das Listas de Controle Estratégico de Exportação do Reino Unido desde 2009, como parte do Regulamento N° 428/2009 do Conselho da União Europeia (UE). Um bem listado nesta categoria é classificado como tendo fins “estratégicos” e, portanto, exige uma licença de exportação para ser enviado para fora do Reino Unido.

Caças J-15 no convés do porta-aviões Liaoning durante exercícios militares no Mar do Sul da China em 2 de janeiro de 2017 (STR/AFP/Getty Images)
Não se sabe se a transferência da tecnologia controlada de IGBT ocorreu antes ou depois da entrada em vigor do regulamento da UE. Em qualquer caso, uma mídia estatal porta-voz oficial do regime chinês, o Diário da China, informou que uma enorme instalação de fabricação de IGBT em Zhuzhou, na província de Hunan, tem trabalhado “lado a lado” desde 2013 com engenheiros da Dynex e funcionários de empresas estatais chinesas para desenvolver “soluções de ponta”. O papel da aquisição da Dynex em ajudar o programa de EMALS da China foi discutido há algum tempo por várias fontes chinesas. Gong Jianghui, professor-associado da Universidade Normal de Pequim e um escritor de best-sellers na China sob o pseudônimo de Qi Cheng, romanceou o evento num livro de 2014, “Império Material”. Na obra, ele retrata a aquisição da Dynex e sua produção crítica da tecnologia de IGBT como sendo uma “operação” essencialmente premeditada pelo regime chinês para adquirir a tecnologia militar fundamental de uma empresa ocidental pequena e em dificuldades econômicas.

Jayant Baliga, professor da Universidade Estadual da Carolina do Norte, que é conhecido por ser o inventor original do dispositivo de IGBT em 1979, explica que a maior parte da fabricação do IGBT se deslocou dos Estados Unidos para o Japão e a Europa após a decisão do governo estadunidense no final da década de 1980 de favorecer a pesquisa de um dispositivo concorrente, o que não foi bem-sucedido. “Esta decisão provavelmente resultou em que o IGBT não fosse classificado [no controle de exportação dos EUA]”, disse Baliga. “É irônico que todas as aplicações previstas pelo Departamento da Defesa e pela indústria sejam agora atendidas pelos IGBTs.”

Tragédia para os Estados Unidos’

O desenvolvimento surpreendente da China no EMALS representa “uma tragédia para os Estados Unidos”, disse Richard Fisher, um membro sênior do Centro Internacional de Avaliação e Estratégia.“Os Estados Unidos planejavam alcançar avanços mais cedo que ajudariam a sustentar sua superioridade militar. Os grandes investimentos da China em sistemas eletromagnéticos de lançamento e de armas a laser podem provavelmente reduzir esse período de superioridade dos EUA”, disse Fisher. A Marinha dos Estados Unidos atualmente opera 10 porta-aviões da classe Nimitz que contam com o modelo antigo decenário mas poderoso de catapulta de vapor para lançar aeronaves, permitindo que a Marinha projete poder em todo o mundo. 

Marinheiros da Marinha dos Estados Unidos a bordo do porta-aviões Gerald R. Ford (CVN 78) em Newport News, Virgínia, em 8 de abril de 2017 (Especialista em comunicação Christopher Delano/Marinha dos EUA via Getty Images)
A Marinha Chinesa, por outro lado, opera dois pequenos porta-aviões baseados num modelo antigo da União Soviética que só pode lançar aeronaves de uma rampa de salto de esqui, que é muito menos eficiente e impõe restrições de desempenho nos porta-aviões chineses. Os dois porta-aviões existentes da China, o Liaoning e o Tipo 001A, ambos transportam caças Shenyang J-15, que se baseiam no modelo russo Sukhoi Su-33. O design da rampa de decolagem em esqui, para ambos os porta-aviões reduz o número de aeronaves que podem ser lançadas simultaneamente. Ainda o mais importante, esse design impõe um limite de peso para decolagem dos caças J-15, pois cada decolagem bem-sucedida exigirá algum nível de contrapeso entre armamentos e combustível ou ambos. A China ultrapassou a tecnologia atual de catapulta a vapor usada pela Marinha dos Estados Unidos investindo fortemente no desenvolvimento da próxima geração de EMALS, que exige menos manutenção e espaço, oferecendo maior eficiência no lançamento e aterrissagem de aeronaves.

Embora o design desatualizado de ambos os porta-aviões Liaoning e Tipo 001A signifique que é improvável que sejam adaptados com o avançado EMALS, que requer uma fonte de energia sofisticada, Richard Fisher disse que o desenvolvimento bem-sucedido de EMALS permitiria que a China instalasse isso em seus futuros porta-aviões nucleares, tornando-os potencialmente tão eficazes quanto a última classe Ford dos EUA e acelerando a projeção do ELP como potência global. Acredita-se que a China esteja planejando construir pelo menos dois e possivelmente até 10 porta-aviões nucleares adicionais até 2049, o centenário da fundação da República Popular da China, de acordo com uma estimativa do website de estudos da defesa Global Security. Um deles, o Tipo 002, já está em construção num estaleiro na orla de Xangai e atingiu 90% de conclusão, de acordo com reportagens em novembro. Governo Chines não faz segredo que seu ambicioso programa de porta-aviões tem como objetivo fortalecer suas capacidades de dissuadir os militares dos EUA de intervir na região da Ásia-Pacífico durante uma crise ou conflito, de acordo com o relatório anual do Departamento de Defesa dos EUA de 2017 ao Congresso. Essa crise ou conflito incluiria o cenário da “contingência de Taiwan”, um ataque ou invasão a Taiwan pela China, ou outro conflito militar contra os Estados Unidos ou seus aliados nos Mares do Leste ou do Sul da China.

*Com Informações do site Epoch Times

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