domingo, 19 de março de 2017

Conheça mais do sistema antimísseis que os EUA estão instalando na Coreia do Sul, e por que sua instalação é tão polêmica

Por: Redação OD

Os Estados Unidos anunciaram o início da operação de instalação de um controverso sistema antimísseis na Coreia do Sul. Batizado de Terminal de Defesa Aérea para Grandes Altitudes (THAAD, na sigla em inglês), o sistema foi desenhado para proteger o país asiático de seu vizinho mais próximo, a Coreia do Norte. Por sinal, a operação teve início justamente um dia após a Coreia do Norte lançar quatro mísseis, em desafio a sanções internacionais.

De acordo com a agência de notícias sul-coreana Yonhap, citando fontes militares, o sistema poderá ter condições de operar já no mês que vem. O Thaad causou polêmica na Ásia (principalmente a China), incluindo até mesmo a "beneficiada" Coreia do Sul. Geng Shuang, porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China, disse na terça-feira que Pequim é contra o sistema e que "tomará de forma resoluta as medidas necessárias para defender seus interesses na área de defesa".

O que é o THAAD?


É um sistema capaz de interceptar mísseis de curto e médio-alcance na fase terminal de seu voo, fazendo uso de uma tecnologia conhecida como hit to kill, em que o míssil destrói o projétil inimigo com impacto. Possui uma alcance de 200 km e pode atingir uma altitude de 150 km. Já foi posicionado pelos EUA no território de Guam (Oceania) e no Havaí como defesa para possíveis ataques da Coreia do Norte, o veículo lançador carrega até oito mísseis interceptadores.

Entenda o funcionamento do sistema THAAD passo a passo:


1. O inimigo lança um míssil;
2. O radar do sistema Thaad detecta o lançamento e alerta o centro de comando;
3. O centro de comando aciona o lançamento de um míssil interceptador;
4. O míssil interceptador destrói o projétil inimigo na fase terminal de voo.

Por que o THAAD é tão controverso?


Há oposição na Coreia do Sul aos planos. Para muitos sul-coreanos, o Thaad pode se tornar um alvo e colocar em perigo a vida das pessoas que vivem perto de locações militares. Internacionalmente, China e Rússia expressaram preocupação, afirmando que o sistema pode afetar o equilíbrio de segurança regional. No ano passado, Pequim disse que o sistema tinha potencial "bem mais amplo" que as necessidades de defesa na Península Coreana. 
Representantes diplomáticos de Moscou em Seul classificaram o sistema como uma "ameaça direta" à segurança nacional. Segundo o especialista em defesa da BBC, Jonathan Marcus, o sistema Thaad não tem poder de fogo contra os mísseis intercontinentais chineses. 

No entanto, os radares são potentes o suficiente para "bisbilhotar" território do país, e Pequim acredita que o Thaad pode ser usado para detectar lançamentos chineses e alertar sistemas balísticos americanos mais sofisticados. "Os EUA já contam com uma poderosa rede de radares baseada no Japão e um sistema Thaad em Guam. Não é fácil quantificar qual o benefício adicional que os radares da Coreia do Sul trariam", diz Marcus.

'Estripulias' norte-coreanas

A Coreia do Norte ameaçou na semana passada lançar mísseis em represália a exercícios militares conjuntos entre os EUA e Seul, que ocorrem anualmente e sempre provocam irritação em Pyongyang. Para o regime de Kim Jong-un, esses exercícios são uma preparação para uma invasão pelo sul. Três dos projéteis percorreram cerca de 1 mil km e caíram em águas japonesas. Segundo as autoridades sul-coreanas, o tipo de míssil usado parecia ser uma versão mais nova do Scud, de fabricação russa.

As Reações internacionais


Líderes americanos e japoneses reuniram-se depois do lançamento norte-coreano, e o Conselho de Segurança da ONU convocou uma reunião de emergência para essa quarta-feira para discutir o incidente. O almirante Harry Harris, comandante das tropas americanas no Pacífico Sul, disse que a atitude de Pyongyang confirmou a "prudência" de instalar o Thaad na Coreia do Sul. Mas a operação aumentará as tensões entre Seul e Pequim. 
Na semana passada, a Coreia do Sul acusou a China de fazer o que chamou de "retaliação econômica". Filiais da loja de departamentos sul-coreana Lotte na China foram fechadas e o governo anunciou ainda uma proibição da compra de pacotes turísticos para o vizinho. Pequim é o destino de 40% das exportações coreanas - um total estimado em cerca de US$ 124 bilhões por ano, quatro vezes mais que o exportado pelo Brasil para a China em 2016. No ano passado, 8 milhões de chineses visitaram Seul e adjacências.

FONTE: BBC Brasil

Nenhum comentário: