quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Relatório final aponta erro humano no acidente com o C-130H da Força Aérea Portuguesa


Por: Redação OD
O acidente com o avião da Força Aérea Portuguesa, um C-130H, que a 11 de Julho provocou a morte de três militares, na base aérea n.º 6, no Montijo, ocorreu devido à “impossibilidade da tripulação em controlar eficazmente a aeronave no decurso de uma manobra que visava treinar a interrupção da respectiva corrida de descolagem – manobra designada de ‘aborto à descolagem’”, lê-se no relatório da Força Aérea divulgado esta quarta-feira.

As conclusões do relatório da Comissão Central de Investigação da Força Aérea excluem problemas com a aeronave e questões meteorológicas como explicação para o acidente. No relatório, a Força Aérea conclui que “a infra-estrutura aeronáutica encontrava-se pronta para operação, sem restrições, e não se verificavam factores meteorológicos passíveis de causar, por si só, o acidente”, e garante que a “aeronave não apresentava quaisquer problemas ou anomalias que inviabilizassem a tipologia da missão a efectuar”.

O relatório esclarece que “da saída de pista não resultaram quaisquer lesões ou ferimentos em nenhum elemento da tripulação”, e conclui que os militares morreram devido à “imobilização abrupta” da qual deflagrou um incêndio na zona do trem de aterragem e asa direita e que depois "se propagou rapidamente ao resto da fuselagem e ao solo contíguo”. A tripulação ainda tentou abandonar a aeronave pelo compartimento de carga, como ditam os procedimentos de segurança, mas o espaço já estava envolto em chamas, acrescenta o documento.
Esta via revelou-se impossível dada a existência de fumos e de temperaturas extremas, bem como à ocorrência de danos estruturais na fuselagem. Quatro dos tripulantes conseguiram abandonar a aeronave através das janelas do cockpit, sendo que os restantes não conseguiram recorrer a outra saída de emergência. A Força Aérea sublinha que a missão “foi devidamente planeada e coordenada entre a tripulação”, e esclarece que este é um tipo de treino de manobras que “implicam um risco associado mais elevado do que os decorrentes de uma missão normal, razão pela qual são previamente treinadas em simulador de voo”.

O acidente causou a morte de três militares e deixou um ferido grave e três ligeiros. Os militares foram assistidos no local e depois encaminhados para unidades hospitalares, indicou a FAP à data. No relatório acrescenta que "resposta dos serviços de assistência e socorro da BA6 foi imediata e eficaz" e elogia também "coordenação com as entidades civis prontamente chamadas ao local". O Lockheed C-130 H/ H-30 Hercules é um aparelho vocacionado para a operações de busca e salvamento e transporte. 
Segundo a Força Aérea Portuguesa, as “excepcionais características operacionais (robustez, versatilidade, capacidade, raio de acção e autonomia)” do aparelho “garantem à Força Aérea Portuguesa a capacidade para a realização de missões de transporte aéreo táctico e transporte aéreo geral, de patrulhamento marítimo e de busca e salvamento, apoio logístico às Forças Armadas Portuguesas" e à NATO, e também o apoio a operações de combate a incêndios florestais.

FONTE: Público.pt

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