sexta-feira, 16 de setembro de 2016

França e Alemanha avançam para criação das Forças Armadas da União Europeia já na cimeira de Bratislava

Por: Redação OD
Os líderes europeus estão empenhados em dotar a União Europeia (UE) de um exército comum e permanente, de acordo com um documento do ministério da Defesa francês a que o jornal alemão Süddeutsche Zeitung teve acesso. O documento refere a integração na área da Defesa como crítica no contexto da saída do Reino Unido (RU), a maior potência militar europeia, da UE.

O Reino Unido bloqueou sempre os repetidos ensaios de avanços da integração na área da Defesa, com o argumento da redundância face à NATO, a principal estrutura de defesa da Europa desde 1949. Os proponentes da criação de Forças Armadas comuns, para evitarem a discussão entre federalistas e atlantistas, fundam a sua proposta num argumento pragmático: o de evitar a duplicação de meios entre os 28 Estados, numa altura em que as crescentes ameaças de segurança obrigam os Estados a aumentar significativamente as dotações orçamentais neste setor.
Os críticos, pelo seu lado, consideram este projeto radical por implicar uma abdicação de soberania sem precedentes na história da Europa e avisam que o poderá ter o efeito contrário ao pretendido e acelerar as forças de desintegração que ameaçam o atualmente o projeto europeu.
O documento com seis páginas divulgado pelo Süddeutsche Zeitung, assinado pelo ministro da Defesa francês, Jean-Yves Le Drian, e pelo seu homólogo alemão, Ursula von der Leyen, refere expressamente o estabelecimento de um quartel-general “comum e permanente”, bem como a criação de estruturas militares comuns, designadamente um comando comunitário de logística e um comando militar médico.
O mesmo documento refere ainda que os Estados-membros deverão começar por integrar as estruturas de logística e de aquisição de materiais, coordenar as políticas de investigação e desenvolvimento e sincronizar as políticas de financiamento e planeamento militar. A recolha de informações militares deverá ser também centralizada, em torno da gestão dos satélites europeus, e está prevista ainda a criação de uma academia militar europeia como forma de ‘promover um espírito de corpo comum’.
De acordo com o mesmo jornal, este documento vai ser distribuído aos líderes europeus na cimeira informal de Bratislava, na Eslováquia, que começa amanhã. 16 de setembro. A França e a Alemanha pedirão aos restantes Estados membros para aprovarem este projeto e que apresentem contributos para a sua rápida implementação.
Especificamente, a França e a Alemanha pretendem acionar, pela primeira vez, o artigo 44 do Tratado de Lisboa, também conhecido com a ‘Constituição Europeia’, nos termos do qual alguns Estados membros podem avançar com a integração na área da Defesa e Segurança ainda que outros Estados-membros não o pretendam.
FONTE: e-global.pt

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